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Renata Torres | Foto : BANTUMEN
Renata Torres | Foto : BANTUMEN

Renata Torres prepara-se para lançar peça teatral sobre o luto

Mwene-Kongo: A Mulher da meia Noite é a nova peça da multifacetada artista e criativa Renata Torres, que ainda está em fase de concepção e que vai retratar a forma como lidamos com a dor do luto.

A peça surge inspirada no próprio processo de perda de Renata, cuja mãe faleceu recentemente, mas espelha-se também na idiossincrasia africana associada a esse mesmo processo, numa vertente social e individualizada a nível emocional e físico.

“É um projeto que espero que as pessoas possam se identificar porque, apesar de tratar do luto, também se trata de celebrar a vida. É um projeto multilinguístico, no sentido de ser uma peça de teatro, com recurso a vídeo. O que está no vídeo não se altera, porque já aconteceu, está gravado, mas interfere com o que acontece no palco”, explica a artista, realizadora e encenadora.

Com Zia Soares como mentoria e o apoio de Matamba Joaquim na encenação, Mwene-Kongo: A Mulher da meia Noite é uma peça que demanda questionamentos. “É uma analogia sobre o que é o destino, o que é o livre-arbítrio. No fim do dia, vai dar tudo ao mesmo. Já está predestinado. O fim nós sabemos. O que é que fazemos com o entretanto? Do momento em que nascemos ao momento em que vamos desencarnar? O que acontece nesse espaço de tempo se existe uma coisa que já está predefinida?”, interroga Renata. “São questionamentos. Não estou a trazer nenhuma solução. Estou a trazer formas de pensar, de encarar, de sentir esse processo”, conclui.

A banda sonora da peça está a cargo de Luzingo e, de acordo com Renata Torres, vai apelar às memórias emotivas do público, através da música. A identificação do público com as cenas apresentadas poderá surgir também através da caracterização da forma peculiar com que o povo africano sofre o luto. “A nossa forma de chorar, como o nosso corpo se prostra na hora de chorar, aquele conceito de sair andando a pé a chorar o nosso ente querido… Então as pessoas vão-se identificar nesses elementos e também na linha filosófica que a peça apresenta sobre que caminho é esse”, disse.

A peça surge na sequência de uma residência artística no Hangar – Centro de investigação Artística, em Lisboa, com Mónica de Almeida, com o financiamento do ProCultura, que tem um programa de apoio à mobilidade de artistas PALOP. A produção passa também pela cidade de Nantes, em França, por onde Renata esteve nos últimos tempos.

Renata Torres nasceu criativa. Atriz, humorista, realizadora, professora de moda, produtora e diretora artística, a luso-angolana é formada em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Londrina, no Brasil. 

É fundadora da produtora artística aRTju e co-fundadora da produtora cinematográfica ENVOLVE.

Lançou o monólogo “Parto Rosa” escrito e interpretado por si em 2017. Em 2019, deu o seu primeiro show solo de stand up comedy “Vamos falar a sério”. Colabora com a plataforma de humor “Goz’Aqui”, onde co-apresenta o noticiário satírico “Sopa Saber” e o talk shows “GozéFêmea”, ambos disponíveis no YuoTube.

Em 2022 foi responsável pela curadoria de dois importantes eventos de cinema em Luanda, o Cine Geração, organizado pela Geração 80 com o objetivo de democratizar o acesso ao cinema, e o festival de cinema Pulungunza, organizado pelo Goeth Institute/Luanda em parceria com a plataforma Ondjango feminista. Ainda em 2022, produziu Parto Rosa, o primeiro filme onde estreou-se como realizadora e que é uma adaptação da sua própria peça teatral, que esteve por cinco anos em apresentação.

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