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Selma Uamesse
Foto: Rafael Berezinski

BANTUMENPodcasts: “Hoyo Hoyo” à conversa com Selma Uamesse

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“Hoyo Hoyo” em Changana (uma das três línguas mais faladas em Moçambique) significa sejam bem-vindos. É com este título que Selma Uamesse nos brinda com uma nova música. A moçambicana, a viver há largos anos em Portugal, é a última convidada do BANTUMENPodcasts, onde nos falou sobre a forma como tem enfrentado o confinamento, de empoderamento, da sua música e dos seus encontros de histórias improváveis moçambicanas num pós Idai.

Conversar com Selma é conversar com um ser humano terra-a-terra, consciente do mundo que a rodeia e das diferenças pujantes que contrapõem o hemisfério norte ao sul.

Sobre o assunto do momento, a nível mundial, “toca a todos”, diz-nos a cantora. “Mas, como é um problema que está a afectar o ocidente e várias pessoas de vários estatutos sociais, se esta situação vier a afetar África de uma forma mais drástica, acredito que, a resposta será muito mais rápida, comparando com a situação das catástrofes naturais [que atingem o continente africano]”. Neste preciso momento em que este texto está a ser escrito, de acordo com os números avançados pela Organização Mundial de Saúde, a Europa regista 729.219 casos de Covid-19 confirmados e África assinala 7.671 casos. Até agora, é o continente com o menor número de infectados.

O medo da morte percute-nos a todos, de uma forma ou de outra. No entanto, os africanos têm uma ligação ancestral, religiosa ou individual que em muito difere de como esse passo da vida é vivido e sentido no lado norte do globo. Selma dá-nos a conhecer histórias angustiantemente dramáticas, mas ao mesmo tempo inspiradoras, de como alguns moçambicanos experimentaram de perto a morte aquando da passagem do ciclone Idai por Moçambique. A força com que uma menina de dez anos se transformou no único sustento dos quatro irmãos mais novos e um homem que perdeu a mulher e o filho bebé e ganhou novamente o sorriso, por reencontrar o pai vivo, e que agora vive para ajudar os outros, são alguns dos exemplos que a cantora detalhou durante a entrevista via Skype.

Quanto à sua música, Selma Uamesse falou-nos um pouco sobre o que compõe LIWONINGO, o seu novo trabalho discográfico. Rock, Gospel, Jazz, as influências europeias e as tradicionais africanas são a génese deste disco, cujo primeiro single acaba de ser disponibilizado. “Hoyo Hoyo” conta a história de um homem cujo propósito é amar o próximo, apesar de todas as adversidades da vida.

Com os pés assentes em terra firma, a cantora sabe bem quem é o seu público e explica-nos como a sua música mais “alternativa”, de fusão dessas misturas que fazem dela a artista que é, é recebida pelos africanos.

Apesar do seu discurso ser de positivismo e empoderamento – pela necessidade de nos distinguirmos pelo talento pessoal e coletivo acima de outros diferenciais – a forma com que prevê o resto deste 2020 catastrófico não é animador. Mas, na ponta língua, explica-nos que, neste confinamento global “quem não tem, é tempo de ter fé”. É tempo de nos ligarmos mais uns aos outros, de nos amarmos, de sabermos mais dos nossos, de pedir ajuda se necessário. “É tempo de nutrirmos o nosso coração com coisas boa, senão, não vale a pena este esforço que estamos a fazer. Em último reduto, a música salva-nos sempre.”

Descobre mais sobre a Selma, a sua música e os seus pontos de vista sobre o que se passa neste nosso mundo, fazendo play abaixo.

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