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“Mulheres com Pulungunza” ajuda a capacitar empreendedoras angolanas

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É nas dificuldades que se encontram as oportunidades, diz o ditado e – considerando o ambiente económico e social angolano adverso depois da crise financeira de 2015 – assim comprova o Global Entrepreneurship Research, que em 2021 classificou Angola como o país com o maior número de empreendedoras.

Apesar de as atenções estarem viradas para a the next big idea ou para o próximo unicórnio, há quem esteja a olhar para o universo do empreendedorismo de proximidade e que, muitas vezes, surge da necessidade imediata de colocar “o pão na mesa”.

Foi com esse propósito que nasceu o Mulheres com Pulungunza, um programa criado por Chelsea Reciado, que premeia e capacita projetos de mulheres, cuja resiliência e necessidade de vencer são os principais motores de arranque.

Na terceira edição do programa que aconteceu no último fim de semana, Josiana da Silva conseguiu convencer o júri do potencial do seu negócio de produtos capilares – que servem sobretudo a quem experiencia importantes quedas de cabelo – e venceu um “empurrão” de 500 mil kwanzas (cerca de mil euros).

Além da principal vencedora, outros dois projetos saíram também vitoriosos do Mulheres com Pulungunza ao receberem mentoria para o desenvolvimento e crescimento dos seus negócios a nível digital.

Ao total, foram mais de 90 projetos inscritos, cujas fundadoras foram selecionadas e acompanhadas por um grupo de coaches, pitchers, psicólogas, marketeers, advogadas e empreendedoras de diversas áreas.

Apesar da tentativa de inclusão de mulheres de diferentes esferas sociais e de outras províncias além Luanda, no final apenas 16 empreendedoras conseguiram apurar-se para o programa. O motivo da desistência das restantes esteve ligado às dificuldades de locomoção entre a capital e as outras províncias, seja a nível financeiro ou familiar, o que evidencia que a mobilidade social continua a ser um importante desafio que enclausura a mulher num ciclo contínuo de pobreza.

Com o objetivo de atender às dificuldades de micro-empreendedoras e de conceder ferramentas de capacitação, em conversa com BANTUMEN, Chelsea Reciado recordou que o projeto é cria da pandemia. Economista formada no Brasil, Reciado quis criar oportunidades para outras mulheres, visto que em Angola elas ,são o grupo social que menos usufrui da Educação e, consequentemente do emprego formal. “No sector informal, pelo menos 80% são mulheres”, sendo que, muitas vezes, “são alvo de muitas violações dos direitos humanos”, além de assumirem a responsabilidade de “cuidar das famílias, devido ao fenómeno de fuga à paternidade”, dizia em 2021 ao jornal Economia e Mercado Daniela Lima, gestora do Projecto sobre Políticas Públicas Inclusivas em Angola, do Mosaiko – Instituto para a Cidadania.

Com recurso a mentorias, workshops, cursos, entre outros, “começámos a dar as primeiras mentorias online, mas tínhamos muitos problemas com a Internet pelo facto de algumas pessoas terem acesso e outras não. Assim, transferimos o programa para o presencial”, explicou Chelsea Reciado.

O núcleo duro da Mulheres com Pulungunza é formado por Chelsea, Nádia Moreira e Cândida Van-Dúnem que, além de baterem de frente com todas as dificuldades inerentes a este tipo de projetos, têm de ter alguma capacidade criativa para manter a “chama acesa”. “O nosso foco é aprender a andar. A nossa primeira edição não teve prémio e tantas pessoas a investir. Além da minha equipa, a Luhela Oliveira também esteve comigo na renovação do projeto e decidimos incluir mais mentoras e cursos”, afirmou a fundadora.

De salientar que, com 30 milhões de habitantes, de acordo com os últimos censos, de 2017, Angola regista uma população composta por 52% de mulheres, sendo que 35% lidera os seus agregados familiares.

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