Parceria e produtos com impacto em comunidades

castanha caju

Opinião de Ruben Morgado

Empreendedorismo é um conceito que passou a estar na moda no sec. XXI, mas está historicamente provado que os primeiros empreendedores podem ser datados até vinte mil anos atrás com as primeiras trocas comerciais. Mas o conceito só foi definido no sec. XIII pelo economista francês, Jean Baptiste Say, através da palavra francesa “entreprendre” que pode ser traduzida em “aquele que se compromete e avança.”


Hoje em dia “empreendedorismo” não é fácil de definir. E para nos focarmos devemos criar um contexto para a nossa definição. Portanto, para se empreender é preciso possuir “certas habilidades para melhorar da vida de indivíduos, famílias, comunidades e sustentar uma economia e ambiente saudável.” Para focar ainda mais, podemos dizer que um empreendedor é “uma força que mobiliza recursos para atender a demanda não atendida do mercado” ou “alguém com a capacidade de criar e construir algo praticamente do nada” ou “um criador de valor reunindo recursos específicos para explorar uma oportunidade.”


Infelizmente existem algumas percepções inerentes a quem envereda pelo empreendorismo, por exemplo, “já se nasce empreendedor” ou “empreendedores tem sorte” ou “empreendedor trabalha sozinho” ou “tudo que precisas é uma grande ideia e producto.” Todas elas não podiam estar mais longe da realidade, mas as duas últimas são essenciais para este texto.


Mesmo assumindo que há excepções, existem na história do mundo parcerias fundamentais que ajudaram a moldar a realidade que temos hoje: John Lennon e Paul McCartney na música com os Beatles, Bill Gates e Paul Allen na tecnologia com a Microsfot, Wilbur Wright e Orville Wright pioneiros na aviação, Serena Williams e Venus Williams no desporto com o ténis e mesmo o Batman e Robin no combate à criminalidade! E muitas mais. Não há dúvida que parcerias são bastante mais frutíferas que o individualismo porque todos nós podemos ser complementados por alguém com um leque de habilidades diferentes das nossas.


A segunda percepção ésobre a “grande ideia e producto.” Todos empreendedores tem ideias fantásticas constantemente, mas agora torná-la economicamente e comercialmente sustentável é muito dificil. E produzir impacto onde são mais necessárias – em comunidades periurbanas e rurais, ainda é mais dificil. Para criarmos um artigo mais real vamos dar um exemplo de uma marca moçambicana, a Woneca. Baseada no Distrito de Chongoene, na Provincia de Gaza, a empresa produz variados productos naturais de altíssima qualidade e o seu producto mais procurado é a Aguardente de Caju, simples – certo? Não, a aguardadente da Woneca é aromatizada por um caju maduro dentro da garrafa! Genialidade, sem qualquer dúvida. Mas o problema do Francisco Cuco, o fundador e empreendedor a frente da empresa, é que o seu mercado saturou. A abrangência dele foi um pouco alem do Xai-Xai. A sua marca precisa de uma actualização da imagem, melhores processos de produção e, sem dúvida, nova rede de distribuição e logística.


E aqui congregamos todos os factores do nosso artigo, para o Francisco, parcerias estratégicas que aumentem as vendas e raio de intervenção, melhorem a sua marca, são fundamentais, sem obviamente descurar de processos productivos mais eficientes e economicamente viáveis. No final, o que pretendemos, sempre, são que os empreendedores façam escorrer o seu sucesso para todos na comunidade e que esta se eleve sustentavelmente e equitativamente.

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