Raquel Lima e Grada Kilomba na Bienal de Veneza para refletir a arte e o feminismo negro

Raquel Lima | Foto : ASCHA
Raquel Lima | Foto : ASCHA

A 59ª edição da Bienal de Veneza, um dos eventos mais relevantes do sistema da arte contemporânea mundial, vai contar com as participações da poeta, arte-educadora e investigadora Raquel Lima e da artista, psicóloga e autora Grada Kilomba, no encontro Loophole of Retreat, a convite do pavilhão dos Estados Unidos da América.

Loophole of Retreat: Venice tem inspiração no trabalho da artista Simone Leigh, autora da renomada série Anatomia da Arquitetura (2016), que combina imagens de mulheres negras com formas extraídas da arquitetura tradicional e contemporânea e da iconografia cultural.

Portuguesa, com origens de Angola e São Tomé e Príncipe, Raquel Lima foi convidada para participar no Loophole of Retreat: Venice, ao lado de várias mulheres negras intelectuais, pensadoras, artistas, ativistas e escritoras de renome. A lista integra a filósofa e académica Denise Ferreira da Silva (Brasil), a politóloga e militante feminista decolonial Françoise Vergès (França); a psicóloga, artista e autora Grada Kilomba (Portugal); a artista visual Deborah Anzinger (Jamaica); a antropóloga cultural, dançarina e coreógrafa Aimee Meredith Cox (EUA); a cineasta Madeleine Hunt-Ehrlich (EUA); a cineasta Gessica Geneus (Haiti); a artista visual Bouchra Khalili (Marrocos); a coreógrafa Paloma McGregor (St. Croix/EUA), o coletivo multidisciplinar Black Quantum Futurism (EUA); a coreógrafa Kettly Noël (Haiti/Mali), a antropóloga médica Stella Nyanzi (Uganda); a artista Lorraine O’Grady (EUA); a escritora Sharifa Rhodes-Pitts (EUA); a coreógrafa Nelisiwe Xaba (África do Sul); entre outras.

O encontro acontece de 7 a 9 de outubro, na Fondazione Giorgio Cini. O projeto é uma extensão da aclamada exposição Simone Leigh: Sovereignty, encomendada pelo Institute of Contemporary Art/Boston (ICA) em parceria com o Bureau of Educational and Cultural Affairs do Departamento de Estado dos EUA, e reflete o ethos [conjunto de costumes e hábitos fundamentais] colaborativo que é característico da prática da artista Simone Leigh.

O simpósio de três dias é organizado por Rashida Bumbray, diretora de Cultura e Arte da Open Society Foundations, com os conselheiros curatoriais Saidiya Hartman, Professora Universitário da Universidade de Columbia, e Tina M. Campt, Professora Owen F. Walker de Humanidades e Cultura Moderna e Mídia, Universidade Brown.

Loophole of Retreat: Venice baseia-se numa reunião homónima de um dia, realizada em 2019, no Museu Solomon R. Guggenheim, em Nova Iorque. A estrutura conceitual é extraída da autobiografia de Harriet Jacobs, de 1861, uma mulher anteriormente escravizada que, por sete anos após sua fuga, viveu num abrigo que descreveu como um Loophole of Retreat. Jacobs reivindicou este local simultaneamente como um recinto de clausura e um espaço para decretar práticas de liberdade – práticas de pensar, planejar, escrever e imaginar novas formas de liberdade.

Leigh está comprometida com a linhagem de artistas e intelectuais mulheres negras que tornam a sua prática possível. Como tal, em conexão com a sua exposição no Pavilhão dos EUA em Veneza, a artista dá continuidade ao seu trabalho de tornar mais visível o trabalho intelectual de mulheres negras. O Loophole of Retreat elevará uma conversa global sobre o pensamento feminista negro, a fim de nutrir as conexões intergeracionais e interdisciplinares entre as pensadoras e realizadoras negras”, disse Rashida Bumbray.

O simpósio vai contar com performances, exibições de filmes e conversas.

Até 27 de novembro de 2022, Veneza tem patente a 59ª edição de La Biennale, um dos eventos mais relevantes do sistema da arte contemporânea mundial.

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