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Jardim de Verão de 2022
Jardim de Verão de 2022 | 📸 Fábio Gonçalves

Lisboa dá as boas vindas ao verão com música afrodescendente

Lisboa acolheu o verão ao som de um conjunto de artistas que comportam em si diferentes sonoridades do mundo mas com uma base sólida fundeada nas origens africanas, sobretudo dos PALOP. Todos os concertos são de entrada gratuita.

A acontecer todos os fins de semana até ao dia 10 de julho, com a curadoria de Dino d’Santiago, a cantora angolana Nayela abriu o palco à programação de mais de 30 concertos e DJ sets, em três palcos diferentes.

Ainda no dia 24, seguiram-se as apresentações de Kady e do próprio Dino; Nídia; da poeta Alice Neto de Sousa; Soluna; DJ Berlok; DJ Lilocox; Mynda Guevara; Buruntuma; Acácia Maior e o grande Manecas Costa.

Neste primeiro fim de semana, destacamos a poesia dilacerante de Alice e a intensa perfomance de Nayela, que canta, toca e produz ao vivo. Kady, de pés descalços, reivindicou o empoderamento feminino negro, através de demandas como a emancipação, a liberdade de expressão (física, emocional e cultural) e do resgate de exemplos dos nossos ancestrais. Também com origens em Cabo Verde, além da Guiné Bissau, Nídia ofereceu ao público um set hipnótico com as suas muito próprias música eletrónica fundida entre diferentes elementos, como a percussão.

O segundo dia ficou marcado pelas atuações de Soluna, Berlok, Lilocox e de Acácia Maior. Não faltou a boa energia do público que se deixou contagiar com as performances dos artistas que levaram doçura, entusiasmo, alegria e muita entrega.

Domingo, dia 26, fechou-se o evento com chave de ouro. A Guiné Bissau foi cantada e tocada pelo ícone Manecas Costa, num misto de saudosismo e tradição que deixou a plateia rendida. Destaque, também para Mynda Guevara, a mulher que domina as rimas de afirmação e de empoderamento. A fechar a festa, Buruntuma foi chamado ao palco para mostrar o que faz de melhor, pôr uma plateia a vibrar ao som do cria através da mesa de mistura.

Buruntuma carrega a mesma bandeira que Manecas Costa, fazendo com que o dia terminasse com guineendade e com uma palavra no ar: resistência.

Cinema

O Jardim de Verão conta ainda com várias sessões de cinema aberto, com filmes que “questionam e deslocam certezas e vêm relembrar que a independência – que doravante permite a dupla pertença – é também uma forma de olhar o mundo, de o habitar e de o encarnar de modo diverso”.

Entre os filmes escolhidos para serem apresentados estão “Margem Atlântica” (2006), de Ariel de Bigault, “Karingana — Os mortos não contam estórias” (2020, de Inadelso Cossa, e “Independência” (2015), de Fradique.

A edição deste ano do Jardim de Verão está ancorada na exposição Europa Oxalá, patente na Fundação Calouste Gulbenkian até 22 de agosto e que repensa a Europa pós-colonial, partindo dos trabalhos de 21 artistas europeus que mantêm ligações familiares com África.

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