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Kaysha | ©BANTUMEN

Kaysha: O dinheiro não está na fama, está na sombra”

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Como cantor e produtor musical, Kaysha vive desde sempre uma dualidade entre ser um dos grandes propulsores de zouk, cabo zouk e kizomba contemporâneos e não ser meritório de prémios internacionais por não ter sangue antilhano, cabo-verdiano ou angolano. Estas sensibilidades de pertencimento musical e cultural foram por si entendidas a partir do momento em que desassociou as definições de fama e negócio, relegando para um plano distante a necessidade de reconhecimento de uma indústria preparada para criar fama sem assegurar segurança financeira para o criador de arte.

Sempre numa posição de antecipação a longo prazo, hoje, Kaysha é fundador de um sistema próprio de rentabilização – com base na sua música e numa marca de roupa – que lhe permite viver confortavelmente e, sobretudo, ditar as suas próprias regras enquanto artista e empreendedor.

Com uma noção muito clara da sua posição privilegiada em relação a outras pessoas que vivem confinadas num sistema que consideram opressor, o artista explica que há uma certa “ignorância” em entender as possibilidades entre ser artista independente e fazer parte da indústria.

Se aos 16 anos o único objetivo de vida era integrar uma produtora de renome no mundo inteiro, mais tarde, com maturidade e algum tempo de estrada, os sonhos redefiniram-se. “Deixei de me importar com a glória e passei a importar-me com um business onde, em vez de ganhar 8% do dinheiro feito, vou ganhar 100%“, explicou-nos.

Durante a conversa com Eddie Pipocas, via videochamada, Kaysha deu-nos a sua visão não só sobre o desafio e os benefícios de ser um artista independente, como também sobre como tentou criar sinergias com outros criadores negros para criar um novo sistema dentro da própria comunidade; como fomentou a criação da marca Olaj Arel, entre outros. Afinal de contas, “fui famoso no mundo inteiro mas entendi que o dinheiro não está na fama, está na sombra”, assegurou, corroborando a sua teoria com um exemplo prático: “Tens um podcast, precisas de mil pessoas para te dar 10 euros por mês e tens aí 10 mil euros. ‘Ah mas eu tenho 100 mil num festival’, pois é mas essas pessoas não estão aqui por ti, estão por um festival inteiro. Se tiver mil só para mim, vou trazer dez mil euros para mim e não sou famoso. É uma forma diferente de entender que não precisas fazer parte do sistema para existir.”

De recordar que, Kaysha é autor de vários hits – alguns com mais de 20 anos – que continuam a ecoar pela comunidade afrodescendente no mundo inteiro, fundador da Sushiraw, da Shadawear e um dos produtores mais respeitados na comunidade afrodescendente lusófona e francófona.

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