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Como é que se passam 11.680 dias a fazer a mesma coisa?

A minha mãe trabalha há mais de 32 anos no mesmo sítio, com as mesmas funções e partilha o mesmo espaço de trabalho com a mesma pessoa.

Quão espantoso é isto? Hoje em dia, em tempos de LinkedIn, candidaturas por pitch, e-mails e voices pelo Whatsapp, a ideia de repetir o mesmo processo, discutir dinâmicas com os mesmo rostos, durante tanto tempo é, no mínimo, desafiante.

Aos olhos de profissionais como eu, na casa dos 30 e com uma carreira sempre com sede de mais distinções, promoções e realizações, um modelo de trabalho como este é impensável. Então, como é que será que funciona?

Voltando à minha mãe, já que o contexto é importante. Angolana de nascença; começou a trabalhar com o meu pai ainda antes de sequer pensarem que 40 anos depois estariam casados. A parceira de cozinha, também angolana, é sobrinha da pessoa que trouxe a minha mãe de Angola. Portanto, duas retornadas, uma negra e uma branca, que estão juntas desde 1975, e que trabalham num restaurante inglês no sul de Portugal, pelo menos, desde 1987. E são realmente amigas. Muito amigas mesmo.

Quem entra na cozinha e as vê a trabalhar percebe que muitas vezes não precisam de falar para compreender o que vai na cabeça da outra. Não precisam de um e-mail de status quando trabalham por turnos, porque já sabem de cor aquilo que cada uma prepara na ausência da outra.

Aquilo que há pouco olhávamos como acto de coragem, começa agora a provocar-nos uma inveja básica, não? Num percurso como este, em que pouco revemos o que queremos para nós agora, podemos identificar coisas bastante interessantes e que fazem com que a minha mãe seja uma cozinheira feliz:

Progressão na carreira: de uma ajudante de cozinha, a minha mãe (e a Bela, já que as duas têm exactamente o mesmo cargo hierárquico) passou a cozinheira chefe;

Aquisição de conhecimento: de fazer o que lhe diziam, passou a criar as suas próprias receitas com autonomia para as implementar;

Melhoria do estilo de vida: criou duas filhas dando-lhes a possibilidade de estudarem, ou não, e hoje em dia viaja para conhecer países novos duas vezes por ano.

Será que progrediu?

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