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Rubem Gomes
Fotografia: Nadine Primeau

“Não é difícil ser vegetariano em Angola”, Rubem Gomes

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Que a comunidade vegetariana tem crescido nos últimos anos no mundo é um facto. Em Angola, em particular, o número de pessoas que decidem adotar o regime alimentar também tem ganhado um crescimento significativo, e a prova é o surgimento de movimentos veganos, eventos, restaurantes com base vegetariana e associações como a Associação Vegetariana Angolana, que querem ajudar na partilha de conhecimento e no processo de conscientização da população sobre o vegetarianismo.

Em conversa com a BANTUMEN, Rubem Gomes, um dos fundadores da Associação Vegetariana Angolana, explicou que a decisão de criar a associação partiu do “sentimento de compaixão para com todos os seres”, acreditando que os seres humanos ainda podem fazer do mundo um lugar melhor, enquanto existir respeito sobre os outros elementos da natureza.

A organização sem fins lucrativos e com um carácter jurídico tem uma lista recheada de objetivos, sendo que os principais e que foram hasteados pela associação incluem informar, educar, impulsionar e desenvolver a difusão do regime.

“[A intensão é ajudar na] difusão do vegetarianismo, por extensão o veganismo e todas as outras formas de vegetarianismo existentes, enquanto estilo de vida e alimentação mais saudável, ecológico e ético, ajudando a desfazer quaisquer preconceitos e ideias erradas existentes acerca do mesmo”, declarou o fundador.

Há realmente restaurantes com base vegetariana em Angola?

Existem alguns restaurantes e cafés, em particular em Luanda, que já têm nos seus menus algumas opções vegetarianas. Existem lugares que já servem praticamente 65% de comida vegetariana, falando de um número empírico. Agora, restaurantes só direcionados para comida vegetariana penso que deve haver pelos um na capital, outros podem eventualmente serem abertos ainda este ano ou no próximo ano, mas ainda não temos um restaurante somente vegano em Angola.   

Sobre o estilo de vida vegetariano, acham que o povo angolano está preparado para o adotar? 

A questão do vegetarianismo hoje em dia já não é vista como sendo algo de outro mundo. Nós, os angolanos, já olhamos para essa questão com mais seriedade e muito mais abertura, muito por conta das questões de saúde. Hoje as pessoas já se preocupam muito mais com aquilo que comem e com os cuidados a terem com a saúde. Penso que, nos dias de hoje e no momento em que nos encontramos, já estamos muito mais receptivos para esta questão.  

Quais são os preconceitos que já encontraram no vosso percurso?

Temos encontrado muitos desafios. Um deles consiste em desmistificar esse preconceito que existe, que só é vegetariano quem tem condições financeiras. Obviamente que cada membro da associação já enfrentou algum tipo de preconceito, dentro das nossas casas, com amigos e etc. Na verdade, isso não passa de ignorância das próprias pessoas em não saberem os benefícios de se absterem de consumirem carne animal.

De acordo com a vossa experiência no terreno, a maioria das pessoas tenta primeiro o vegetarianismo (ovolacteo) ou passam logo para o veganismo? 

Temos um pequeno grupo com cerca de 80 pessoas entre vegetarianos, veganos, pessoas conscientes e algumas em transição. Estas pessoas até então têm tido um todo cuidado em se absterem de qualquer consumo de carne animal e os seus derivados. Obviamente que existem desafios, no que toca ao cumprimento de algumas regras, as pessoas podem ter uma queda uma vez ou outra, isso para as pessoas que estão principalmente em transição, e que no fundo acaba por fazer parte do processo. Não condenamos, pelo contrário, incentivamos e ajudamos as pessoas a fazerem uma transição de forma consciente e segura.

Sabendo que o país tem um nível de produção de alimentos naturais considerável, há alguma dificuldade ou é simples adotar este tipo de regime alimentar?

Temos dito que por defeito nós já somos vegetarianos, o que acontece é que uns sabem e outros não. Grande parte da nossa alimentação já é composta de muitas verduras, legumes e frutas. O nosso país não é ainda tão industrializado e a indústria agropecuária não é o desejada, o que acaba por ajudar na nossa luta contra a exploração animal. O nosso dever é de alertar as pessoas para os perigos do consumo de carne, não só carne, mas também o peixe. Não é difícil ser vegetariano em Angola, nós já temos de tudo um pouco e a produção local em algumas zonas já é orgânica e de muito boa qualidade, portanto pensamos nós que é uma questão de consciência.

Quais as estratégias que têm adoptado para captar o interesse para este estilo de vida?

Estamos a trabalhar muito com as redes sociais, primeiro, a fim de informar a todas as pessoas que existe uma associação e que elas podem contactar-nos para qualquer informação, questão, como fazer parte da nossa comunidade, caminhos a seguir, etc. Fizemos uma apresentação da nossa associação numa das cadeias televisivas cá do nosso país, onde falámos da associação e apresentámos um prato vegano. Temos em vista outros projetos que vão desde palestras, fóruns, festivais, marchas. Enquanto ativistas o nosso dever é de informar e consciencializar as pessoas.

O vosso trabalho com estabelecimentos de restauração irá transcender para outras áreas?

Sim, pretendemos ir mais além. Vamos trabalhar num futuro muito próximo com certificação de produtos, a fim de fornecer os melhores produtos aos nossos associados e não só. A ideia é ajudar as pessoas a escolherem os melhores produtos para o consumo, então iremos trabalhar com certificação e muito mais.

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