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Bellmaz | DR
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Gratitude, o último EP de Bellmaz, DJ e produtor a manter debaixo de olho

A puxar pelos sintetizadores na cadência da percussão africana, BELLMAZ acaba de atirar para as pistas nova obra. Gratitude é um EP com quatro músicas em que, durante 24 minutos, a nova cria do afrohouse transporta-nos para um estado de consciência anestésico.

Gratitude é uma pequena amostra da capacidade singular de BELLMAZ cruzar o house com as sonoridades ancestrais africanas, inspirado por nomes como Black Coffee, Djeff, Da Capo e Themba. “Quando produzo, tento sempre ter na base algumas das suas produções mas tornando-as sempre o mais originais possível, criando o meu próprio estilo”, declarou à BANTUMEN. Além destas referências, o EP é a exposição pública da gratidão que sente pelo apoio que recebe dos seus. “Motivação, apoio, suporte, carinho devo tudo aos meus. Quando digo ‘meus’, refiro-me aos meus irmãos que me inspiram a ser melhor a cada dia que passa e a alguns amigos próximos. São poucos mas eles sabem quem são”, disse. Studio Bros, Dj Ninja, Magic Beatz e Dj Dadifox também fazem parte desse pequeno círculo de pessoas que, além do apoio, ajudaram o DJ e produtor a crescer artisticamente, com conselhos e dicas sobre a complexa indústria da música.

Quando nos juntamos, basta uma cadeira e uma cerveja e somos todos família

Bellmaz

Belmiro García António é BELLMAZ, um produtor luso-angolano de 18 anos, número que não reflete a sua maturidade musical. Fato comprovado a partir do momento em que apertares no play deste Gratitude.

Nascido e criado em Portugal, BELLMAZ é da Quinta do Mocho (Sacavém, arredores de Lisboa) e tem sangue angolano. “Os meus pais, tios e avós são todos angolanos e, de certa forma, sempre me senti conectado com as minhas raízes. Apesar de nunca ter visitado o país, os meus pais sempre nos puseram a par, a mim e aos meus irmãos, das músicas que eram mais ouvidas no tempo deles, as brincadeiras na rua, onde iam e tudo mais”, explicou.

Com nove anos produziu as primeiras misturas, com base nas sequências sonoras que se formavam no seu inconsciente. O pano de fundo dessas experiências – que se mantém até hoje – são as experiências e os sons que ouvia no bairro. “O meu bairro preservou muito daquela alegria africana em, quando nos juntamos, basta uma cadeira e uma cerveja e somos todos família. Ao crescer estudei em escolas em que éramos maioritariamente filhos de emigrantes africanos. Partilhávamos a mesma história, ouvíamos as mesmas músicas em casa, era fácil nos irmos ensinando e trocando ideias daquela que seria a nossa origem, e isso, no fundo, honrava os nossos pais, estarmos longe da origem deles, mas procurarmos manter essa ligação viva”, explicou-nos o produtor.

A facilidade em criar música nos bairros nada tem de surpreendente. Afinal, a música é ponto presente em cada ajuntamento de mais de uma pessoa. “Em cada esquina, cada rua, e até mesmo debaixo dos prédios, existe uma história para contar e, na Quinta do Mocho, sempre fizemos isso através da música. Ver os meus irmãos mais velhos a tocarem, produzir e perceber como isso os fazia vibrar, atraiu-me para este mundo. Foi com 9 anos de idade, que fiz as primeiras misturas”, acrescentou.

Antes de Gratitude saiu o EP Reborn, em 2020. Foi com esse lançamento que começou a aperceber-se que a sua música “tocava nas pessoas”. A partir daí, cada novo passo dado foi calculado ao pormenor. Passou a ter mais cuidado na forma como produz e procurou não só produzir como, de forma autodidata, adquirir mais conhecimento.

A escolha da house music foi um processo natural. “Sinto-me bem ao ver as pessoas alegres e a sentirem a vibe que transmito através das minhas músicas ou quando estou a tocar. Para mim, a melhor maneira de fazer isso é tocar e produzir house music, é um género que me define por completo”, exprimiu BELLMAZ.

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