Estas são as nossas sugestões de leitura do #MIA23

Sugestões de leitura #MIA23 | ©Leandro Crespi
Sugestões de leitura #MIA23 | ©Leandro Crespi

Selecionamos em exclusivo para ti quatro sugestões de livros de autores negros, pela relevância das suas agendas na luta antirracista. Há entre cada um deles um elemento comum, além da abordagem didática, que passa por uma leitura rápida, curta e de fácil absorção. Afinal, com a corrida diária que todos enfrentamos, a possibilidade de adquirir conhecimento de forma mais rápida e acessível é sempre mais atraente.

Estes quatro livros vão, muito provavelmente, entrar na tua lista de favoritos e incontornáveis, por serem, de um lado, urgentes e imperativos, e de outro, contundentes e curtos. São eles: Pequeno Manual Antirracista, da filósofa e ativista brasileira Djamila Ribeiro; Para Educar Crianças FeministasManifesto, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie; Racismo Recreativo, de Adilson Moreira, e Apropriação Cultural, do escritor brasileiro Rodney William.

Estes manuais, que transitam desde o ensaio filosófico ao enquadramento histórico-cultural do colonialismo, podem facilmente ser “devorados” em duas noites de insónia, numa viagem corriqueira de metro, ou nas pausas rotineiras de meia em meia hora.

O Pequeno Manual Antirracista é um ensaio escrito pela filósofa, professora e militante feminista e antirracista brasileira Djamila Ribeiro. O manual foi lançado em 2019 pela Companhia das Letras e contempla 11 capítulos, que se ramificam no desafio que é a discussão sobre racismo para a sociedade brasileira e que pode ser estendida a outras realidades geográficas. A autora, a certa altura do livro, chama atenção para os privilégios da “branquitude” e esclarece conceitos como “lugar de fala” para que se entenda efetivamente o debate racial. “Se a população negra é a maioria do país, quase 56%, o que torna o Brasil a maior nação negra fora de África, a ausência de pessoas negras em espaços de poder deveria ser algo chocante.”

Para Educar Crianças FeministasManifesto, é uma carta escrita por Chimamanda Ngozi Adichie, uma das vozes mais importantes da literatura negra contemporânea, e que responde ao questionamento “como transmitir valores feministas às crianças?”. De maneira sucinta, e recorrendo à literatura para uma narrativa menos densa apesar da complexidade, Chimamanda neste livro traz conselhos práticos e simples, com o fim de oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, independente do género. São ao todo 15 sugestões que a autora propõe, seja para homem ou mulher, educadores de meninos ou de meninas. “Lembro que me diziam quando era criança para varrer direito, como uma menina. O que significava que varrer tinha a ver com ser mulher. Eu preferia que tivessem dito apenas para varrer direito pois assim vai limpar melhor o chão. E preferia que tivessem dito a mesma coisa para os meus irmãos”, podemos ler numa das páginas.

Em terceiro, temos o livro Racismo Recreativo, do escritor e pesquisador brasileiro Adilson Moreira. A primeira curiosidade sobre este livro é que a expressão “Racismo Recreativo” foi proposta pelo próprio escritor. O seu significado designa “um tipo específico de opressão racial que aparece na forma de humor, que perpetua preconceitos e estereótipos racistas contra grupos socialmente minoritários e oprimidos de pessoas não brancas como: pessoas negras, povos originários, comunidades tradicionais e pessoas asiáticas”. Segundo o autor, “a expressão veio como uma forma de combate de práticas que as pessoas acham que são brincadeiras inofensivas mas que, na verdade, são uma forma de microagressão com as pessoas negras.” Daí, o próprio livro levanta a questão: “de que forma devemos classificar expressões humorísticas que reproduzem estereótipos negativos sobre minorias raciais?”.

“Uma piada é racista quando pretende causar dano a uma minoria, quando pode ser esperado que ela terá esse efeito e quando o dano infligido não pode ser moralmente justificado”

Os debates sobre a apropriação cultural são complexos, perniciosos e raramente têm conclusão clara. O antropólogo Rodney William, autor do livro Apropriação Cultural, sob coordenação de Djamila Ribeiro, define o fenómeno como “um mecanismo de opressão por meio do qual um grupo dominante se apodera de uma cultura inferiorizada, esvaziando de significados suas produções, costumes, tradições e demais elementos. É uma estratégia de dominação que visa apagar a potência de grupos histórica e sistematicamente inferiorizados”, afirma o escritor.

“Pensar no uso indevido de trajes e acessórios, como na polêmica dos turbantes; na expropriação de expressões artísticas e tradições, como no caso do samba e da capoeira; e também na utilização de símbolos sagrados e religiosos totalmente esvaziados de sentido e dissociados de sua origem, como se percebe na comercialização de elementos do candomblé para fins decorativos, é o mote de toda essa discussão, mas, como se vê, remete a questões bem mais profundas, totalmente ligadas ao sistema de dominação que fazem do racismo no Brasil um crime perfeito.”

Todos os livros estão disponíveis para compra na loja da Bantumen. Desejamos assim, boas compras e boas leituras.

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