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Januario Jano

Januário Jano em Londres para celebrar kimono angolano e japonês

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Januário Jano vai estar em Londres (Reino Unido) para apresentar uma nova exposição, patente na galeria White Conduit Projects, de 7 de setembro a 8 de outubro. KIM-KIM, com a curadoria de Yuki Miyake e Ana Teles, é uma exposição que une culturas distintas que atravessam África, Europa e Ásia através do quimono, que faz uma reflexão sobre as nossas conexões com objetos familiares e quotidianos e os respetivos significados.

A exposição também evoca ideias de apropriação e assimilação cultural, não apenas as resultantes do colonialismo europeu, mas também as trocas culturais mais inocentes e produtivas entre os povos.

As mulheres Ambundu, que vivem no noroeste de Angola, onde nasceu Januário Jano, vestem-se com um xaile feito de tecido de cores vivas que lembra um quimono.

O uso do tecido desempenha um papel crucial na prática artística de Jano, sendo um meio que lhe permite reconectar-se com as suas raízes. “O tecido também proporciona uma conexão emocional com as sensações infantis de conforto e segurança e uma oportunidade de introspecção; uma série de fios de pensamento se entrelaçam na sua mente adulta, ligando lembranças de anos de formação a uma sensação de deslocamento e perda”, lemos no comunicado enviado à BANTUMEN.

A memória também ocupa um lugar central na obra de Jano – memórias despertadas por fotografias descobertas em arquivos, as histórias contadas e recontadas pela família e fragmentos da infância que ressurgem insistentemente na sua obra.

O tecido japonês usado para fazer o trabalho desta exposição foi doado especificamente para este fim por amigos da White Conduit Projects. Além disso, Jano selecionou tecidos e imagens do seu arquivo pessoal de fotografias e objetos que ao longo do tempo foi colecionando e preservando.

As composições de Jano nesta exposição emprestam a simplicidade dos elementos formais da tradição estética japonesa. O tecido branco é uma característica recorrente do trabalho de Jano e que tipicamente simboliza a resistência das mulheres angolanas ao domínio colonial, com foco nos processos de assimilação e apropriação cultural, bem como na resistência e rejeição que se desenvolvem em resposta.

Recortando e costurando tecidos, pintando sobre imagens e combinando objetos derivados de várias fontes, lugares e épocas, o artista criou um trabalho que integra tecido de quimono japonês com tecido selecionado do seu próprio arquivo.

De salientar que, apesar de em Angola não existir uma forte indústria têxtil, o seu tradicional tecido Samakaka é reconhecido e utilizado no mundo inteiro.

As imagens que o artista escolheu para apresentar nas suas composições mostram detalhes etnográficos, especificamente o legado do catolicismo, imposto aos angolanos pelos portugueses. Esta experiência histórica tem paralelos com o Japão.

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