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É nas paredes de Maputo que Coana gera mudança social

De sorriso rasgado, Sebastião Coana chegou ao nosso ponto de encontro alegre, meio eufórico, e nas suas vestes de artista, com um fato macaco sujo de tintas e sapatilhas coloridas. Apesar de ser a sua primeira entrevista para a BANTUMEN, chegou com um à vontade de quem se cruzou com conhecidos e a contar as manobras que teve de fazer para desviar-se do trânsito e chegar à hora marcada.

Responsável por conceder à cidade de Maputo uma nova identidade visual, os murais de Coana carregam vida em cor e traços que, por momentos, fazem esquecer os problemas da cidade e permitem contemplar a energia própria daquele pedaço da Pérola do Índico.

Tudo começou em 1995, quando o artista descobriu que tinha talento para criar arte e começou a dar os primeiros passos na pintura. Nascido numa zona rural do distrito da Manhiça (Zona Sul de Maputo), onde sobreviveu aos brutais ataques da guerra civil juntamente com a família, foi na arte que encontrou uma forma de expressar as suas dores e desenvolveu um forte sentido crítico sobre a realidade que o rodeia. Mais tarde, em 2000, ingressou no programa de arte juvenil do Museu Nacional de Artes de Maputo. Licenciou-se pela Academia Central de Belas Artes, na China e, em 2012 terminou o mestrado em Economia na Beijing University of International Business and Economics.

A pop arte é onde mergulha com maior frequência, concedendo à sua cidade natal murais que transmitem o calor cosmopolita e multicultural da capital de Moçambique. E não é apenas uma questão visual. Na arte de rua como nas pinturas a óleo, Coana aborda muitas vezes questões sociais e políticas, como por exemplo “o mural localizado em Maputo, que é um apelo contra as desigualdades de género e contra os casamentos prematuros”, diz-nos. “Sinto que as mulheres choram em silêncio e a minha arte de rua ajuda a transmitir a dor e a conscientizar sobre o impacto social negativo da violência de género”, acrescentou.

O seu nome assina diferentes obras em parcerias com marcas ou expostas pela cidade, como a Escadaria das Barreiras de Maxaquene e o Mercado do Povo, na baixa da cidade e numa área total de 3000 metros quadrados.

Um dos seus principais objetivos é “contribuir para a promoção da arte sustentável e estimular a colaboração entre todos os sectores para inclusão das belas artes nos seus planos de desenvolvimento”, explica o artista.

No seu palmarés regista vários prémios de inovação para as metas de desenvolvimento sustentável da ONU, incluindo o AbinBev Africa Sustainability Challenge, de 2018, e o Total Startup de Desenvolvimento Sustentável Rural do Ano em Moçambique, em 2019.

Além de ser artista plástico, em 2016, Sebastião Coana criou uma plataforma com vista a impulsionar o desenvolvimento pessoal e reintegração social dos jovens por meio da arte, garantindo inclusão e geração de renda para jovens artistas e amantes de arte.

Atualmente, tem uma exposição em nome próprio, inaugurada no dia 3 de março, no Balcão Premier do Absa Bank Moçambique, situado na Avenida Julius Nyerere. Patente até junho, a exposição – que integra um movimento ecológico a fim de sensibilizar e incentivar a sociedade a utilizar de forma racional os resíduos sólidos através do seu reaproveitamento – poderá ser vista também virtualmente aqui.

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